Correio do Povo 02/05/14: Índios x colonos

15Dezembro2017

Sexta, 02 Maio 2014 00:00

Correio do Povo 02/05/14: Índios x colonos

          O que se viu nesta semana no município de Faxinalzinho não foi um fato isolado ou inédito nessa disputa histórica por terras entre índios e colonos. A questão que envolve as áreas indígenas no RS é similar ao que ocorre em outros pontos do Brasil quando se discute quem tem razão e quem é o dono da terra em disputa.  

         No Brasil os índios não podem se queixar de suas extensões territoriais. Hoje, o total de reservas indígenas em nosso país já passa de 1 milhão de quilômetros quadrados, ou 12,5% da superfície do país, uma área territorial maior que somadas as extensões do Rio Grande do Sul (281.730 km²), Santa Catarina (96.736 km²), Paraná (199.307 km²), São Paulo (248.222), Rio de Janeiro (43.780) e Espírito Santo (46.095).  Com um território desse tamanho, que também pode ser comparado à soma territorial da França, Espanha e Itália, como pode haver ainda uma questão que envolva a demarcação de terras indígenas no Brasil? Fica evidente que falta mesmo é uma política que administre essa situação que jamais foi resolvida pelo governo federal, responsável pela questão indígena.  Todos sabem que a população indígena brasileira tem características culturais diferentes das comunidades que habitaram a América Latina e a América do Norte, estas dizimadas em conflitos violentos ou exterminadas pelo avanço na conquista de novos territórios pela colonização.  Nossos índios sempre viveram em grandes áreas de selvas e rios porque sobreviviam da caça e da pesca e não há registros de grandes enfrentamentos como os ocorridos no Oeste norte-americano, na Patagônia argentina e na conquista territorial espanhola. Se a população indígena brasileira diminuiu e suas terras foram tomadas é porque o governo federal se omitiu ou ele mesmo se encarregou de assentar colonos em áreas que antes pertenciam aos índios.  

 

          O recente enfrentamento em Faxinalzinho, por exemplo, encontra uma unanimidade de críticas ao governo federal - autoridades municipais, índios e pequenos agricultores - por sua omissão na demarcação de terras para os caingangues que por 11 anos ocupam uma área em disputa onde morreram os dois agricultores.  Se as mortes violentas dos dois colonos servirem para motivar a União a resolver a demarcação de outras terras para os indígenas que essa perda fique registrada como um sacrifício que balizou o fim do enfrentamento entre índios e pequenos agricultores. Mas como a política federal para o problema é dúbia e indefinida, a repetição da tragédia de Faxinalzinho já está anunciada.  

Equívoco oficial  

O governo federal já errou quando demarcou a Reserva Raposa do Sol, em Roraima. No ano passado, uma comitiva liderada pelo deputado federal gaúcho Jerônimo Goergen (PP) constatou que a demarcação foi um "desastre" e deveria servir de freio à onda de demarcações no restante do país. Goergen citou como exemplo o Rio Grande do Sul, onde, segundo ele, índios reivindicam áreas que somam cerca de 100 mil hectares, hoje ocupadas por plantações de soja, no Norte do Estado.  

Negócios suspeitos  

As novas demarcações, segundo ele, são feitas com base em laudos fraudados por antropólogos e servem aos interesses de brancos que querem explorar ilegalmente as áreas indígenas, por meio de arrendamentos (que são proibidos pela Constituição) disfarçados de parcerias.

 O resultado (1)  

Os agricultores de Roraima que deixaram a área da Reserva da Raposa do Sol buscaram outras terras para produzir em suas lavouras de arroz que ocupavam apenas um por cento do território indígena. Muitos foram para a Guiana e o líder da resistência contra a demarcação, o gaúcho Paulo César Quartiero, é deputado federal pelo DEM. Ele planta arroz na Ilha de Marajó  

O resultado (2)

 Os índios que trabalhavam com os produtores rurais expulsos da área passam dificuldades. Fazem bicos em Boa Vista e índias se prostituem. O jornal Folha de São Paulo foi até a região e tomou vários depoimentos. Venâncio, um índio macuxi, hoje trabalha num lixão ao lado de tratores, urubus e mau cheiro. Uma jovem que nasceu na reserva se prostitui na capital de Roraima com outras índias. "Estou aqui por que preciso pagar as minhas contas", disse ao som de uma música do grupo Calcinha Preta.

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